Minha Jornada Espiritual: Por que decidi me desvincular de qualquer religião
- 30 de jan. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 15 de jul.
A intenção desse post não é criticar nenhuma religião, mas sim compartilhar a minha experiência pessoal.

Nasci e cresci como Testemunha de JeovĆ”. Desde cedo, estudei a BĆblia e compartilhei as minhas crenƧas com outros. Era uma parte essencial da minha vida. No entanto, ao explorar a espiritualidade de forma mais livre, percebi que algumas das crenƧas que seguia eram, na verdade, regras ou costumes que nĆ£o pareciam ser determinantes para estabelecer uma conexĆ£o verdadeira com o que chamamos de Divino.
Decidir me desvincular dessa religiĆ£o ā e de qualquer outra ā foi o resultado de uma longa reflexĆ£o. Sempre dizia a mim mesmo que jamais deixaria de fazer parte dela. Mas isso mudou.
Minha relação com a religiĆ£o no passadoĀ
Minha relação com a religião sempre foi muito próxima. Frequentava as reuniões regularmente e participava ativamente das atividades internas. Durante todo esse tempo, aprendi valores importantes, como a importância de estar bem vestido, manter a casa limpa e organizada e falar de forma educada. Também aprendi a valorizar os estudos espirituais e a respeitar regras para manter a ordem. Ademais, adquiri a noção de que devemos promover a paz, evitando conflitos.
Apesar disso, algumas experiências me levaram a questionar as minhas crenças e a necessidade de pertencer a uma religião.
Os primeiros questionamentosĀ
Tudo comeƧou quando me deparei com passagens bĆblicos especĆficas. Um exemplo marcante foi a ordem de Deus para que o exĆ©rcito de Israel destruĆsse o exĆ©rcito inimigo e matasse todas as pessoas daquele povo, incluindo homens, mulheres, crianƧas, bebĆŖs e atĆ© mesmo os animais.Ā AoĀ ler isso, pensei: āEsse nĆ£o Ć© o Deus amoroso que conhecemos na BĆblia. SerĆ” que essa ordem veio realmente d'Ele ou foi atribuĆda a Ele por alguĆ©m com mĆ”s intenƧƵes?ā
Outro exemplo que me impactou foi a história do filho de Davi, que morreu ainda bebĆŖ como forma de punição pelos erros de seu pai. Me perguntei: āPor que Deus mataria um bebĆŖ inocente para punir outra pessoa?ā
Esses relatos, e alguns outros, me fizeram refletir profundamente. A descrição de Deus como a personificação do amor nĆ£o parecia compatĆvel com essas passagens. Essa incoerĆŖncia me levou a questionar se a BĆblia poderia conter informaƧƵes que nĆ£o refletem verdadeiramente a essĆŖncia divina.
Vale destacar que, mesmo enxergando por essa perspectiva, a BĆblia continua sendo um livro Sagrado para mim e mantĆ©m sua relevĆ¢ncia.
O conflito interno e a busca por respostas
Mesmo com esses questionamentos, sentia-me culpado. Pensar que a BĆblia pudesse conter erros ou interpretaƧƵes humanas me deixava desconfortĆ”vel. Muitas vezes, orei pedindo mais fĆ© e entendimento para enxergar as coisas de forma correta.
A decisão de me desvincular
Depois de muitas reflexões, minha decisão de me desvincular da religião Testemunha de JeovÔ foi influenciada por uma mudança nas regras dentro da religião sobre o uso de barba para homens e calças para mulheres.
Por muito tempo, essas prĆ”ticas eram proibidas. Homens que deixassem a barba crescer nĆ£o podiam participar de atividades religiosas, e o uso de calƧas por mulheres era visto como inaceitĆ”vel. Sempre achei essas restriƧƵes estranhas, especialmente porque a BĆblia nĆ£o mencionava nada contra essas prĆ”ticas. Mesmo assim, obedeci Ć s regras. Continuando minhas pesquisas bĆblicas, confirmei que nĆ£o havia justificativa para essas proibiƧƵes. Ainda assim, permaneci obediente.
Anos depois, veio o anĆŗncio: as restriƧƵes haviam sido revogadas. A partir daquele momento, as pessoas estavam livres para usar barba ou calƧas. A decisĆ£o nĆ£o trouxe alĆvio, mas decepção comigo mesmo. Com medo de punição divina, esperei a autorização de homens para algo que a BĆblia jĆ” nĆ£o proibia.
Foi então que percebi: eu não estava seguindo essas regras para me aproximar de Deus, mas sim para agradar homens. Era como se precisasse de sua aprovação para me sentir digno diante do Divino. E isso não era mais aceitÔvel para mim.
Nota: O ponto não é usar barba ou calças, mas sim a necessidade de permissão humana para algo que, espiritualmente, jÔ sabia ser permitido. Eu estava servindo a homens, não a Deus.
Essa compreensão levou à minha escolha de deixar a religião. Uma decisão baseada na busca pela autenticidade e pela liberdade espiritual.
Espiritualidade fora das religiƵes
Hoje, espiritualidade para mim significa buscar formas livres de se conectar com o Divino. Essa conexão pode acontecer através da meditação, da contemplação da natureza, da filosofia, de entender e respeitar outras religiões e de outras prÔticas.
Acredito que Deus deseja que todos tenham uma vida boa e evoluam espiritualmente de forma livre e amorosa, sem o peso do medo de quebrar regras ou da culpa por questionar.
Respeito às diferenças
Respeito profundamente as pessoas que escolhem seguir uma religião. Cada um conhece suas necessidades e encontra conforto onde acha mais apropriado. Se fazer parte de um grupo religioso com determinadas crenças e regras é importante para você, siga em frente. Não hÔ nada de errado nisso. A diversidade de crenças é algo enriquecedor.
Quanto a mim, minha jornada tomou outro rumo. Neste momento, nĆ£o pertenƧo a nenhuma religiĆ£o, e talvez continue assim por muito tempo. Mas fico em paz sabendo que posso mudar de opiniĆ£o quando quiser. Minha espiritualidade Ć© flexĆvel e nĆ£o depende exclusivamente dessa decisĆ£o.
Conclusão: Um convite à reflexão
Independentemente de sua decisão ou opinião sobre este assunto, reflita sobre sua própria jornada espiritual, seja você religioso ou não. O mais importante é respeitar as escolhas uns dos outros e valorizar a sua oportunidade de explorar a espiritualidade de forma livre.
A religião é inspiração do homem que evolui, mas não é o segredo dessa evolução.
O Livro de Urântia
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